Michele, a das caixas de vinho, entrega esquema, nomes de figurões e sai da preventiva para prisão domiciliar

Publicado em 20 jul 2019 - silvano

Fato novo no âmbito da Calvário surpreendeu a praça, na manhã da última terça-feira (dia 16), com a publicação do Diário da Justiça: o desembargador Ricardo Vital decidiu relaxar a preventiva de Michele Louzada Cardoso e comutar para prisão domiciliar. Michele, como se sabe, foi presa na Operação Calvário II, em 2 de fevereiro, por suspeita de integrar organização criminosa como entregadora de propinas.

Na Calvário 2, o desembargador Ricardo Vital determinou o cumprimento de mandados de prisão preventiva de Daniel Gomes da Silva, Michelle Louzada Cardoso (secretária particular de Daniel) e Leandro Nunes Azevedo, além dos mandados de busca apreensão contra Waldson Dias de Souza, Livânia Maria da Silva Farias e Analuisa de Assis Ramalho Araújo.

Nas últimas semanas, advogados de Michele haviam impetrado habeas corpus, negado pela Justiça. Mas, “diante de novo cenário fático e também levando em consideração o parecer do Ministério Público (Gaeco), entendo ser viável o deferimento do pedido”. Foi como despachou o desembargador para decretar sua prisão domiciliar.

Delação – Informação de bastidores indicam que o por “novo cenário fático” entenda-se que Michele decidiu falar, inclusive suplementando dados de suas agendas pessoais, em que constariam o valor das propinas entregues a agentes públicos da Paraíba, com dinheiro desviado da Cruz Vermelha gaúcha, além de declinar os nomes dos beneficiários, sobretudo figurões.

Carreto – Nos autos do processo consta, dentre outros fatos, que, na eleição de 2014, ante a iminência da vitória do então senador Cássio Cunha Lima, Michele veio em avião fretado a João Pessoa, trazendo caixas de dinheiro para turbinar a campanha de Ricardo Coutinho, garantir sua reeleição e, portanto, assegurar a continuidade da relação criminosa entre seu governo e a organização social, de onde era retirado o dinheiro das propinas.

Flagrante – Michele é a mesma personagem que foi flagrada pela força tarefa da Calvário num hotel do Rio de Janeiro, entregando um caixa de vinho, com mais de R$ 900 mil, ao ex-assessor Leandro Nunes Azevedo, em agosto do ano passado. Na delação, Leandro confessou para quem se destinava o dinheiro, que eram fornecedores da campanha de João Azevedo, Veneziano Vital do Rego e Luiz Couto.